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Cultura Tecnológica

19 de Abril de 2006 às 11:27 Matheus  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 6457

Eu acho que profissionais de TI tendem a confundir, ou fundir, os significados dos termos tecnologia e computação (ou outros termos semelhantes como informática, computador, tecnologia da informação, termos que remetem à área de TI). Tecnologia é muito mais que isso, tem um significado que extrapola e não se prende à área de TI. A Pati sabe muito mais disso do que eu, heheh.

O mestrado que a Patrícia cursa no CEFET é denominado mestrado em Educação Tecnológica. Um dos aspectos da tecnologia que é estudado no mestrado é a cultura tecnológica. Parece haver um grande debate sobre o assunto entre os especialistas da área porque tanto cultura quanto tecnologia têm significados bastante amplos. Vejam no blog (webfólio) da Pati uma discussão sobre o que é cultura tecnológica. Coloquei o link na sessão de links desse blog.

Eu acho a computação bacana pela capacidade natural de interação com outras áreas. A computação não é uma atividade fim, é uma atividade meio. O que isso tem a ver com cultura tecnológica e todo o papo sobre educação tecnológica? Bom, como profissionais uma das nossas preocupações pode ser a de educar tecnologicamente pessoas que sejam “ignorantes tecnológicos” ou que vivam à margem do uso da tecnologia. Ubiquitous Computing é um termo sempre presente na área de TI. Como isso é possível? Só se as pessoas conhecerem a tecnologia e sentirem-se a vontade com ela. Porque a eletricidade é onipresente? Porque todo mundo sabe usar essa tecnologia, a tal ponto que o uso torna-se inconsciente. Você não precisa entender de eletricidade para usar uma lâmpada!

Vou “convocar” a Pati para fazer um comentário nesse post. Eu acho que ele tá meio bagunçado, heheh. O que eu queria é levantar a questão sobre como se aplica o conhecimento sobre a educação e a cultura tecnológica para profissionais de TI. Como profissionais, é uma das nossas missões levar a tecnologia da informação às pessoas? Se for, qual a forma de fazer isso? Como tornar a tecnologia um aspecto cultural intrínseco de um povo?

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36 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Thiago  |  19 de Abril de 2006 às 13:35

    A primeira questão é hardware. Lâmpadas são baratas. Dada a sua utilidade, eletricidade também é barata e já existe toda uma infraestrutura de distribuição pronta. O que pode ser feito neste aspecto?
    1 - Computador popular?
    2 - Melhorias radicais nos celulares?
    3 - Quiosques/centros para uso de computadores difundidos e presentes em todo bairro?
    4 - Criação de um serviço central de processamento gigante e venda/distribuição de terminais burros?

    A idéia de um terminal burro é minha favorita. Um computador tipo o popular mas muito mais simples, que nem precise de monitor (é só ter uma placa de vídeo antiiiiiiiiiiiiiiga que já dá para ligar direto na TV, equipamento que todo mundo tem), pode ter um HD simples, ou nem ter HD, usando somente cartões Flash ou pendrives. Todo o processamento seria feito no servidor e poderia existir uma rede de servidores para atender as diversas regiões de acordo com a demanda.

    Daqui a pouco sai o Windows Live mesmo… E daqui a pouco o Google passa a ser a internet mesmo…

  • 2. Paulo Cezar Santos Ventura  |  19 de Abril de 2006 às 18:41

    Caro Matheus e Tiago.
    A idéia do Tiago é muito interessante. O terminal burro pode ser uma sáida tecnológica e popular ótima. Isso demandaria evidentemente uma grande divulgação da tecnologia, ou melhor, uma popularização da tecnologia jamais vista em um país como o B rasil. Por enquanto os detentores da tecnologia ainda pensam muito em dinheiro. Mas seria bom lembrar o que aconteceu na época da invenção do computador, o ENIAC de 1948. Os criadores do ENIAC divergiram entre si quanto aos rumos da invenção. Um deles queria manter segredo do novo produto criado, outro queria publicar os segredos da invenção (o computador) para que todos pudessem usufruir dos prováveis benefícios da mesma, como a velocidade dos cálculos, da programação, etc. O fato é que a divergência foi longe, um deles publicou o segredo do ENIAC, o que permitiu a construção de novos computadores, já uma evolução do primeiro, poucos meses depois, na Inglaterra e na França. E é graças a esse divergência, e à iniciativa de um deles de popularizar o conhecimento, que o computador se difundiu tal qual vimos. Portanto, cultura tecnológica para todos.
    Paulo

  • 3. Matheus  |  19 de Abril de 2006 às 19:27

    Dinheiro é apenas uma das questões para tornar uma tecnologia onipresente. Agora vamos pensar pra frente, supondo que o custo da tecnologia é tão barato que viabilize sua implantação onde quer que seja: como incorporar o conhecimento tecnológico ao dia a dia das pessoas?

    O exemplo da lâmpada foi só uma ilustração. A interface homem-lâmpada é muito simples, com computador, por exemplo, a coisa complica bastante. Qual a solução? Dispositivos específicos para tarefas? Convergência de aparelhos? O celular tem um modelo de interação tão simples que qualquer um sabe usá-lo? Os mais novos são tão poderosos quanto alguns micros antigos. A interface de utilização ficou mais simples ou mais complexa com isso?

  • 4. Matheus  |  19 de Abril de 2006 às 19:32

    Uma questão mais breve: como o modelo open source entra nesse meio de campo como difusor de conhecimento e idéias? É mais ou menos algo que o pesquisador que contou os segredos do ENIAC fez?

    Eu fico satisfeito em ver a comunidade Java no Brasil ser tão forte. Java é muito ligada à comunidade open source em geral e a própria Sun tem um modelo de negócios baseado em barateamento da tecnologia, como disse o presidente da empresa na abertura do Sun Tech Days 2006. O governo brasileiro é um grande utilizador de Java e cria muitas soluções para ampliar o alcance da tecnologia com essa linguagem (e de outras formas também). O governo brasileiro é sempre referência positiva no uso da tecnologia para benefício do cidadão. :-)

  • 5. Thiago  |  20 de Abril de 2006 às 10:35

    Eu conversei um pouco com o Matheus ontem e um ponto debatido foi a questão da aculturação da tecnologia na sociedade. Temos o exemplo do telefone, que convenhamos, tem uma interface nada intuitiva. Vejamos, quero ligar para o Matheus e para isso tenho que digitar uma seqüência arbitrária de números. É como se eu tivesse que decorar o CPF dele! Mesmo assim, o telefone é muito difundido e praticamente todo mundo sabe como usá-lo.

    Eu mantenho uma idéia há algum tempo que diz respeito ao ensino de matemática nas escolas. Eu acredito que é uma estúpida perda de tempo ficar forçando os alunos a fazerem contas. Entender como elas funcionam é importante, mas isso teoricamente é conhecimento já adquirido na 3ª ou 4ª série. Eu proponho que a partir daí todas as aulas de matemática sejam dadas com calculadoras.

    O que ganhamos com isso? Bem, contas são procedimentos mecânicos que só exigem decorar tabelas e seqüências de tarefas. Nada mais. Nenhum raciocínio é necessário. Esse tipo de tarefa pode ser tratado com o auxílio de uma calculadora. O que o aluno ganha com isso?
    1 - Menos erros nas contas
    2 - Maior agilidade ao resolver problemas
    3 - Foco do estudo passa a ser o raciocínio e não a conta em si, e com isso o nível dos problemas pode ser mais elevado
    4 - A calculadora pode permitir que problemas com quantidade grande de contas sejam mais comuns, pois a realização delas não será mais uma RESTRIÇÃO ao aprendizado.
    5 - As crianças estarão familiarizadas com o uso de calculadoras. Considerando que uma calculadora bem portátil pode ser comprada por R$ 1,00 em qualquer canto, imagino que essas crianças sempre terão uma calculadora à mão. Imagino que elas estarão acostumadas com a interface (que é similar à de um telefone, apenas mais complexa) e que saberão assuntos matemáticos mais avançados, tais como juros, regras de três, fracionamentos, etc, que são úteis no cotidiano.

    Nós, programadores, temos uma excelente noção da diferença que uma ferramenta faz no trabalho. Por exemplo refactoring, que é um processo mecânico, que exige alterações minuciosas em vários arquivos de códigos ao mesmo tempo. Realizar refactoring em um código pode melhorá-lo bastante, mas pode piorá-lo se a escolha não foi boa. Mais ainda, podemos errar durante a execução do mesmo. Mais ainda, pode demorar horas, dependo do tamanho da mudança. O que nós temos hoje são editores de código que fazem essas alterações automaticamente. As alterações são praticamente instantâneas, corretas e podem ser desfeitas com o pressionamento de duas teclas. E como isso muda nossa maneira de programar! Eu uso refactorings sem dó nem piedade, justamente por essa facilidade e segurança.

    O ponto forte da computação é justamente esse: Automatizar trabalhos mecânicos e repetitivos. Se há uma fórmula certa e objetiva para realizar uma tarefa, um computador pode fazê-la. E rápido. E corretamente.

    Fico imaginando o quanto a nossa sociedade mudaria se isso fosse feito…

  • 6. Matheus  |  20 de Abril de 2006 às 11:38

    Um ponto do bate-papo que eu quero destacar é a questão da interface da calculadora. Ontem eu e o Thiago concordamos que a calculadora tem uma interface semelhante a muitas ferramentas do nosso cotidiano: caixas automáticos de banco, controles remotos, telefones celulares, alguns sistemas de controle de acesso, máquinas de cartão de crédito e débito, etc, etc… Você pode até extrapolar o conceito para equipamentos que não sejam tão parecidos com uma calculadora, como um som automotivo. Já viu quantos botões um som automotivo tem? :-)

    Se uma criança é educada no uso de uma calculadora, qual o impacto disso na apropriação do uso de outras tecnologias que possuem interface semelhante? Depois do problema do custo da tecnologia, a facilidade de uso é um dos fatores fundamentais para sua popularização.

    A idéia do Thiago parece ser muito boa mesmo!

    Paulo, existe alguma pesquisa sobre isso? Quer dois orientandos pra levar esse tipo de pesquisa pra frente? :-)

  • 7. Thiago  |  20 de Abril de 2006 às 15:36

    Um pequeno link sobre o que eu disse em relação ao Windows Live e Google:

    http://blogs.pcworld.com/staffblog/archives/001889.html

  • 8. Tester  |  20 de Abril de 2006 às 16:14

    Bão… vamos lá então. Acho que Matheus e Thiago estão chegando a um ponto que eu considero ser o crucial na “culturação” de uma tecnologia - a facilidade de uso.

    Penso que é equivocada a idéia de adaptação do ser humano à tecnologia, tal qual a idéia inferida pelo Matheus sobre a idéia de uma criança ser educada com a interface de uma calculadora.

    Hj podemos perceber a existência de uma grande parcela da sociedade que é analfabeta-tecnológica. Isso se dá pelo fato de não compreenderem como é o funcionamento de máquinas, que nós “tecnólogos” consideramos simples, como por exemplo, um caixa-eletrônico. Não interessa o quão simples é a sua interface, o que é relevante é que ela não é natural.

    Eis aqui o ponto em que eu queria chegar. Penso que um tecnologia só é absorvida pela sociedade, a sua “culturação” só acontece quando a tecnologia se torna natural ao ser humano.

    No caso do uso da energia elátrica o que aconteceu foi que houve um refinamento tal dos equipamentos que a utilizam que o seu uso direto pelas pessoas se tornou transparente. Na realidade muitos não sabem usar a energia elétrica, muitos nem sabem que existe um pólo negativo e positivo, e blá-blá-blá… Eles aprenderam que simplesmente é necessário colocar o plug na tomada.

    Penso que além da questão de equipamentos baratos temos que pensar na sua utilização. De nada adianta termos computadores que são vendidos à US$ 100 se a curva de apredizagem para utilizá-lo é gigantesca. Para se utilizar um computador não basta ligá-lo a uma tomada. É preciso muito estudo para se utilizá-lo de forma razoável.

    O que temos que entender é que enquanto tecnologias como reconhecimento de voz e outras não estiverem presentes de forma a tornar o uso dos computadores mais natural, teremos milhões ou bilhões de excluídos. Falta ainda uma grande mudança no que tange o paradigma das interfaces homem-máquina. Isso irá tornar mais fácil a adesão das tecnologias à cultura humana.

  • 9. Thiago  |  24 de Abril de 2006 às 08:51

    Obviamente o uso de interfaces mais naturais, como voz, é a melhor solução.

    O problema é que não existe essa tecnologia e ela pode demorar décadas para chegar em um estado que a torne útil.

    Se quisermos fazer algo hoje em dia, temos que usar o que há disponível, mas podemos simplificar, por exemplo colocando nos computadores uma versão de Linux bem personalizada, somente com os comandos mais interessantes claramente disponíveis, colocar atalhos para esses programas no teclado, etc.

    De qualquer forma, por enquanto as pessoas terão que se adaptar à tecnologia.

    Eu também acho que nunca a tecnologia chegará a ser completamente natural. Por exemplo, reconhecimento de voz. Vai chegar uma hora que poderemos falar com o computador e ele entenderá e obedecerá, mas vai ser algo como “escrita grafite”: O computador terá um vocabulário limitado e as pessoas terão que se adaptar a esse vocabulário:
    - Iniciar navegador
    - Copiar arquivo X para a pasta raiz
    - Iniciar redação de e-mail
    - Trocar janela para planilha
    - Agendar desfragmentação do disco para o meio-dia.
    - Eliminar cookies e arquivos temporários
    E mesmo assim estou contando com a tecnologia para compensar os sotaques!
    Para entender um humano falando normalmente, é preciso desenvolver uma inteligência artificial bastante avançada, o que, dado o histórico de pesquisas na área, deve demorar bastante.

  • 10. Paulo C S Ventura  |  24 de Abril de 2006 às 22:03

    Essa discussão está muito interessante. Nenhuma tecnologia é natural no sentido estrito da palavra. Mas ela vai se “naturalizando” à medida que vamos nos aculturando, ou nos acostumando com ela. Como sou um pouquinho mais velho que vocês, tenho no próprio automóvel um bom exemplo. O automóvel foi introduzido na indústria brasileira, mas não é um produto nacional (se bem que hoje já seria). A aculturação do automóvel em nossa sociedade foi bem difícil, e hoje ele é “natural”. Quando eu fiz faculdade, no início da década de 1970, não eram difundidas as calculadoras. Usávamos régua de cálculo, ou máquinas de calcular enormes (facit, ainda hoje exstem alguns exemplares nas lojas de auto-peças da Pedro II). O que os alunos devem aprender é sobre os processos de cálculo: o que é e como somar, etc. Mas ele não aprende mais fazendo contas de cabeça ou na ponta do lápis. Mas de tanto usar a calculadora ele apreende os resultados dos cálculos. Sempre vamos esbarrar na questão da cultura, da escolaridade, da apropriação das tecnologias e, principalmente na linguagem. Os caixas 24 horas começaram a solicitar, após a senha, o ano do nascimento com 4 “dígitos”. Eu vi muita gente perdida porque não sabia o que significava a palavra “dígitos”. Então mais que cultura e educação tecnológica o problema é de educação e cultura mesmo, que se adquire também junto com processos e procedimentos de ordem técnica e tecnológica. Falei demais? Paulo

  • 11. Paulo C S Ventura  |  25 de Abril de 2006 às 10:22

    Engraçado, ontem deixei um comentário aqui, mas agora vejo que ele não ficou gravado. Acho que eu já estava muito cansado para saber o que eu estava fazendo. Mas tento repetir o que eu havia pensado ontem. Concordo plenamente com o Thiago sobre as calculadoras. Aprender a decorar a fazer contas é um processo natural que vem com a repetição, e essa repetição e memorização pode vir tanto decorando uma tabuada como usando uma calculadora. Historicamente sempre fizemos isso. Algum tempo atrás eu não conseguia escrever diretamente na tela do computador, escrevia a mão primeiro e depois transcrevia para a tela. Era difícil pensar olhando para a tela. Hoje eu quase não escrevo a lápis ou caneta, usadas apenas para anotações. Fiz faculdade nos anos 1970 e usávamos régua de cálculo, calculadoras Facit (ainda existem alguns exemplares em uso em velahas lojas de auto-peças na Avenida Pedro II), e cartões perfurados em Fortran. Não existe tecnologia natural, elas são todas artificiais, mas vão se “naturalizando” à medida que aculturamos o processo e nos apropriamos da tecnologia. Foi assim com o automóvel, cuja indústria chegou ao Brasil com JK, final de 50, início de 60. Ainda me lembro da dificuldade de circulação de automóveis, prncipalmente em cidades pequenas, porque a população ainda pensava em carroças e se assustava com esses engenhos. Acho que existem dois processos diferentes: um de apropriação da tecnologia (difusão de uso das mesmas) e outro de aculturação do cidadão às tecnologias, que seria esse processo de “naturalização”. Nesse sentido, o celular já encontra-se no primeiro processo (de apropriação) mais ainda não no segundo (de aculturação). Todos esses processos esbarram, evidentente, na educação. Recentemente os caixas 24 horas pediam, após a senha, que o cidadão digitasse seu anos de nascimento em 4 “dígitos”. Eu vi muita gente com olhar perdido frente à máquina pois não sabia o que significava a palavra “dígitos”. Claro que o procedimento foi trocado por absoluta falta de educação do usúario. Qualquer programa de popularização da ciência e tecnologia (o cidadão comum não se interessa muito por ciência, mas se interessa enormemente por tecnologia) tem que passar obrigatoriamente pela educação, escolaridade, essas coisa que os governos são obrigados a fornecer ao cidadão. É aí que o bicho pega e o buraco é mais em baixo (ou em cima, já nem sei mais). Vejamos se gravei a mensagem.
    Paulo

  • 12. Paulo C S Ventura  |  25 de Abril de 2006 às 10:25

    Vejam só, como o cmentário 10 não apareceu quando eu abri, escrevi de novo. Agora tenho dois comentários sobre o mesmo assunto. Paulo

  • 13. Thiago  |  25 de Abril de 2006 às 15:13

    Oi, Paulo. É que como você colocou um nome diferente ao postar, o sistema obriga que um moderador aprove o comentário antes dele aparecer no blog. Foi isso que aconteceu. Se mantiver o nome que você já usou não acontecerá mais isso.

  • 14. Matheus  |  26 de Abril de 2006 às 14:09

    Eu acredito que as tecnologias mais “humanas” serão desenvolvidas junto com os robôs. Uma boa parcela das pesquisas em robótica decica-se à construção de robôs humanóides. As interfaces desses robôs com o mundo são, ou tendem a ser, bem parecidas com as interfaces humanas com o mundo: visão com olhos (câmeras para os robôs), sensores táteis, audição, fala, etc. Pra mim, não faz muito sentido um robô humanóide cujo “modelo de interação” com o mundo ao seu redor fuja muito do modelo humano.

    A boa notícia é que os investimentos em pesquisa na área de robótica são grandes. Há muito interesse nessa área e ano após ano os robôs ficam cada vez mais impressionantes. Também existem muitas competições entre robôs para estimular ainda mais os profissionais da área a desenvolverem soluções inovadoras, criativas e que sejam evoluções significativas. Só pra terem uma idéia, existe uma competição de futebol entre times formados por robôs. A associação que promove esse campeonato espera que até 2050 os profissionais envolvidos sejam capazes de criar uma seleção de robôs que seja capaz de disputar uma copa do mundo de fubetol! O futuro é logo ali!

  • 15. Matheus  |  26 de Abril de 2006 às 14:25

    O Paulo começou a falar de educação num âmbito mais amplo, agora acho que o assunto irá complicar. Não que exista forma de escapar disso quando se trata de educação tecnológica (e muitos outros assuntos) mas é que educação é um assunto complicado.

    Educação e uma política educacional consistente, de longo prazo, têm a capacidade de curar muitas mazelas do nosso país. O problema é que se pensarmos na realidade educacional do Brasil, um desânimo é quase inevitável.

    Como agir num cenário educacional desanimador para: 1) garantir educação “geral” para a população? Só isso já seria um viabilizador de muita coisa bacana. A partir daí: 2) possibilitar um processo de aculturação tecnológica para que a população desfrute da tecnologia da forma mais conveniente e adequada para o indivíduo e a coletividade?

    Tô viajando demais?

  • 16. Patrícia Alves  |  26 de Abril de 2006 às 15:28

    Olá Patrulleros,

    estou satisfeita em saber o quanto o tema “cultura tecnológica” vem possibilitando múltiplas interações, inquietações e novas abordagens neste ambiente tecnológico. Obrigada, Matheus, por promover a discussão incial!

    Quanto as questões sugeridas pelo Matheus, dentre elas: “como garantir educação para a população?”, penso ser em certo sentido “fácil”, de repente até massificando informações, já temos diversas tecnologias que nos permite fazer isso agilmente, mas o fator elementar vai além da democratizatização ao acesso à educação.

    Educar o cidadão primando pela qualidade do processo de ensino-aprendizagem é o principal aspecto e para isso precisamos entender e superar as diretrizes que orientam a educação em nosso país, além disso, vejo a necessidade também de mudar a nossa mentalidade e compreender a real função da escola no meio social…. Um dia farei aqui uma breve menção, do ponto de vista de autores educacionais, sobre a temática: Escola para quê?

    A resposta para a pergunta 2 sugiro encontrarmos juntos (todos os patrullerose demais convidados)…ok?!

    Até breve,
    Patrícia Alves

  • 17. Tester  |  27 de Abril de 2006 às 12:43

    Olá Thiago e Paulo,

    Bem, tecnologias como reconhecimento de voz existem há muito tempo. Lembro-me de ter testado o IBM Via Voice há mais ou menos 4 anos e confesso que o programa era muito bom. Hj deve estar muito melhor. Vc podia dizer: “Iniciar”, “Programas”, “Acessórios”, “Calculadora”, “Quatro”, “Mais”, “Quatro”, “Igual” e vc tinha o resultado correto deste cálculo apresentado na tela. Na época este programa tinha o incoveniente de vc ter que treinar o computador, lendo um texto durante 40 minutos. Mas sinceramente não sei qual é a última versão deste programa da IBM, tão pouco como é a sua utilização atual. Porém há uma outra evidência de que tecnologias mais “naturais”, i.e, aquelas que mais se aproximam das características/sentidos humanas já estão no nosso meio. Os celulares de hj aceitam comandos por voz, alguns mais modernos vc nem precisa gravar o nome da pessoa para que ele reconheça qual número ele tem que ligar. Qualquer pessoa que pegar o telefone e dizer “José”, o aparelho irá procurar na sua agenda algum contato com este nome e irá ligar pra ele. Ou então dizer o número e záz! já está chamando.

    Tecnologias de biometria tb estão avançando cada vez mais. Já é possível comprar a preços razoáveis uma leitora de digital que resolve alguns problemas de autenticação de usuario. Ao invés de decorar um UserName e uma Senha (que hj se exige por padrões de segurança que tenha no mínimo 8 digitos alfanuméricos) a pessoa simplesmente coloca o dedo no aparelho e tudo está resolvido. Bem, se existem então algumas soluções razoáveis surge a seguinte pergunta: “Qual o motivo delas não estarem por aí funcionando a todo vapor ao invés de tentarmos fazer com que as pessoas se adaptem à tecnologia e não o contrário?”. Eu vou falar um pouco mais sobre isso daqui a pouco.

    Qto ao argumento de que o problema maior é a educação e cultura, permita-me Paulo discordar de vc e apresentar algumas evidências contrárias. Peço licença inclusive para usar como exemplo a dificuldade que vc encontrou para postar mensagens neste blog nos dias 24 e 25 de abril. Segundo as informações que tenho, parece-me que vc é uma pessoa que tem um nível educacional e cultural muito acima da média da população e mesmo assim encontrou dificuldades no uso da tecnologia, que aqui envolve a web e os blogs. Confesso que a primeira vez que postei uma mensagem aqui, a minha mensagem tb não apareceu instantaneamente. Porém, o que vc não deve ter percebido é que uma mensagem de alerta foi exibida juntamente com o texto que vc digitou. Nela havia a informação que o seu comentário estava aguardando a aprovação do moderador do blog para sua publicação. No meu caso eu simplesmente girei a cadeira e pedi ao Matheus (um dos moderadores) para que aprovasse o comentário. Este fato vem corroborar com a minha tese de que o problema básico que dificulta a “culturação” das tecnologias não é a educação ou cultura. É claro que educação, qto a cultura fazem parte do problema mas a meu ver não são elas as principais responsáveis pela dificuldade de dada tecnologia ser absorvida, “naturalizada” como vc bem disse.

    Eu, data venia, insisto no argumento de que é a tecnologia que deveria se adaptar ao ser humano e não o contrário. Isto faria com que as tecnologias fossem melhor recebidas e evidentemente facilitaria enormemente a sua absorção pela cultura humana. E talvez seja esta a explicação de algumas tecnologias “pegarem” mais facilmente que outras. Permita-me retornar ao exemplo do blog. Imaginemos que ao invés de um simples texto, de poucas linhas e pouco visível, surgisse na tela uma face humana que lhe informasse através dos alto-falantes e de uma legenda abaixo da face que as mensagens postadas precisam ser aprovadas pelo moderador do blog e solicitasse que o sr. gentilmente aguardasse essa aprovação. (Isto é um exemplo, é claro que a mensagem e a interação homem-máquina neste caso poderia ser ainda aperfeiçoada). Certamente vc não escreveria novamente o mesmo comentário e não pensaria que vc deixou de “gravá-lo”.

    Bem, neste ponto eu gostaria de colocar a minha opinião sobre a pergunta: “Qual o motivo delas (tecnologias com interfaces mais “naturais”) não estarem por aí funcionando a todo vapor ao invés de tentarmos fazer com que as pessoas se adaptem à tecnologia e não o contrário?”. No meu ponto de vista, falta aos técnologos (eu me incluo aqui) um compromisso maior com o usuário. Uma responsabilidade maior no que tange a usabilidade das tecnologias que criamos. Geralmente, nós tecnológos nos preocupamos mais com as tecnologias que utilizamos pra desenvolver as aplicações do que como o que usuário irá “ver”. Estamos mais preocupados com a última versão do Enterprise Java Beans ou em aprender a usar as novas funcionalidades do NetBeans 5.5 do que com as facilidades que podemos oferecer aos usuários. Penso que ainda nos falta o foco correto, que é o usuário. Digo isso pela experiência que tenho no mercado e também pela experimentação pois tb sou usuário de tecnologias como todos. É fato tb que existe a questão comercial, mercadológica, mas penso que ao perceber que ao tornar o usuário peça primordial dos nossos produtos e mudar o nosso comportamento para atendê-lo de forma adequada nosso “lucro” será muito maior.

    Eu vou-me… pq isso já tá virando uma tese. ;)

  • 18. Thiago  |  27 de Abril de 2006 às 14:33

    Primeiro permitam-me afirmar que realmente concordo que é a tecnologia que deve se adaptar à pessoa. Por exemplo, eu acho que a interface dos automóveis é tão incrivelmente atrasada! DUAS MÃOS para direcionar um carro! Num jogo de computador ou videgame eu preciso de UM DEDO. E que por favor os câmbios automáticos se tornem padrão.
    Entretanto, qualquer tecnologia demanda um certo esforço para ser compreendida. Quanto mais natural a interface, menor esse esforço, mas ainda há esforço e isso não pode ser deixado de lado. Mesmo que controlássemos carros com a força do pensamento, teríamos que aprender a dar os comandos da forma correta e nos adaptarmos ao fato de que carros têm rodas e não pernas.

    Dito isso, o obstáculo é o nível da tecnologia. No caso do Via Voice a tarefa é reconhecimento de voz. Eu acredito que esse tipo de tecnologia vai se desenvolver muito bem num futuro próximo. O problema que eu apontei antes não é esse. É a compreensão dos comandos. É a semântica, as formas de expressão, figuras de linguagem, etc. O que o reconhecimento de voz permite é o mesmo que um terminal do Linux permite: Especifique o comando PRECISAMENTE e na sintaxe PERFEITA e a ação será feita. Só estamos trocando o teclado pelo microfone, a estrutura da comunicação é a MESMA, portanto vai ter um calhamaço especificando todas as frases que podem ser ditas.

    Para um interação verdadeiramente natural é preciso de uma inteligência artificial exemplar e, segundo as pesquisas nessa área, é possível que isso não aconteça nunca. É melhor não contar com isso por enquanto.

    Em relação ao episódio do Paulo no blog, se a notificação fosse sucinta, em vermelho, piscando e em fonte 24, acho extremamente provável que ele visse. :)

    No fundo, concordo que usabilidade é uma área da ciência à qual deve ser dado mais valor, especialmente na computação. Um interface simples é extremamente agradável de se usar (dizem que essa é uma das razões do sucesso do TiVo nos EUA).

  • 19. Matheus  |  27 de Abril de 2006 às 15:16

    Discordo na questão do câmbio automático, eu gosto de passar marcha! Isso não vem tanto ao caso, heheh. Ou vem? (Aqui começaríamos a tratar das preferências dos usuários, ou seja, além de uma interface intuitiva o usuário ainda exigiria a capacidade de adaptar a interface ao seu gosto. Essa capacidade de adaptação pode interferir na “culturação” tecnológica?? Por exemplo, eu compro um carro que permite-me escolher entre volante e um manche que permitam direcionar o automóvel e passar marchas. Imaginem se, ao sair da garagem, eu puder conectar um volante ou um manche à direção!)

    Sobre a questão da adaptação da tecnologia ao usuário ou do usuário à tecnologia, acho que essa adaptação é um jogo de gato e rato em que os papéis passam de um lado pro outro com o tempo. Num comentário no blog Cultura Tecnológica eu dei um exemplo desse jogo com os padrões ASCII e Unicode.

    Havia um problema, representação de símbolos em computador, e pesquisadores correram atrás de uma solução e criaram o ASCII. Esse padrão resolvia um problema, pessoas começaram a usá-lo mas alguns tiveram que se adaptar mais ao ASCII do que outros. ASCII não codifica símbolos japoneses, por exemplo. Nesse momento os papéis mudaram, a tecnologia precisou adaptar-se aos seus usuários e daí surgiu o Unicode, um padrão que pode codificar um número de símbolos muito maior que o ASCII. Hoje o Unicode codifica mais de 90.000 símbolos, contra os 127 do ASCII.

    O Marcelo (Tester) levantou a questão da Usabilidade e acho que nessa questão não há muita discussão mesmo: usabilidade é fundamental. Concordo que nós, profissionais de TI, na maioria das vezes negligenciamos os aspectos da utilização dos produtos e serviços que construímos, o que dá origem a interações homem-máquina muito bizarras. Mas também acredito que exigir usabilidade adequada é papel dos clientes e dos usuários. Se as pessoas que usam equipamentos e serviços tecnológicos clamarem por interfaces mais adequadas e interações mais claras, então os profissionais que criam esses equipamentos e serviços terão que correr atrás da usabilidade. O produto não é adequado? Não use! Sei que esse comportamento parece meio utópico mas acredito que é (ou seria) uma força importante para a aprimoração das interfaces homem-máquina.

    Ah, interfaces agradáveis normalmente são as simples e funcionais. O Thiago citou o TiVo e eu cito o iPod, que é um fenômeno não só nos EUA mas no mundo inteiro. Tem interface mais econômica e direta que aquela? Aliás, acho que o iPod pode ser usado como um bom exemplo de tecnologia facilmente incorporada no dia-a-dia das mais diferentes pessoas. Até a rainha da Inglaterra tem um!

    PS.: Fiz um teste para ver a mensagem de aprovação do comentário. Das características que o Thiago citou, ela só é sucinta, faltou todo o resto. É realmente difícil encontrá-la, principalmente se o comentário for grande e no meio de outros comentários. Que tal enviarmos uma mensagem para o suporte da Locaweb comentando esse problema de usabilidade, hein?

  • 20. Tester  |  27 de Abril de 2006 às 16:07

    Que venham os carros do futuro!!! Seria muito bacana controlar um carro através de um joystick!!!

    Qto ao esforço para compreender uma tecnologia ele sempre existirá, afinal como bem disse o Paulo, nenhuma tecnologia é natural. Cabe a nós envidarmos todos os esforços para diminuir cada vez mais esse “delay” de aprendizagem.

    Falando um pouco de linguagem natural, eu tenho visto ChatBots desde 1998 e pelo o que percebo eles estão cada vez melhores. Penso que para situações específicas eles se dão bem. Veja dois cases da Inbot onde são utilizados ChatBots pra atendimento ao público.

    Eu acabei de fazer alguns testes com ele e realmente é surpreendente como esses programas estão avançados. Veja alguns dados que consegui:

    Você: o que é petroleo?
    Ed: Bom… Petróleo é todo e qualquer hidrocarboneto líquido em seu estado natural, a exemplo do óleo cru e condensado. E pra vc, o que é?

    Você: e o gaz naturau de onde vem?
    Ed: O gás natural é uma fonte de energia limpa, que pode ser usada nas indústrias substituindo outros combustíveis mais poluentes, como óleos (…)

    (*Note que escrevi as perguntas com erros ortográficos graves
    e mesmo assim ele reconheceu o assunto e forneceu uma resposta adequada.)

    Agora a pergunta mais sensacional:

    Você: quem vai ganhar a copa do mundo de 2006?
    Ed: Como posso saber? Não tenho bola de cristal…
    Você: você torce por que time na copa do mundo 2006?
    Ed: Torço pelo Brasil! E você?

    Bem, como vc pode ver Thiago coisas desse tipo não são tão
    futurísticas qto pensamos, algumas coisas já são realidade e estão batendo à nossa porta. Devemos sim contar com isso já… :D

    Já a mensagem de alerta que o Paulo recebeu às vezes nem fonte vermelha, tamanho 24 e piscante resolve. Já fui professor de informática durante muito tempo e digo pra nunca subestimar um usuário. A coisa mais comum que acontece é o computador apresentar uma tela com uma informação, o usuário não lê, simplesmente aperta OK. No caso do Paulo se ele não rolou a página até onde o seu comentário deveria aparecer a fonte poderia ser 50… :D

    Mas de qq maneira acho que estamos nos entendendo e começando a convergir para um ponto em comum.

    Abraços.

  • 21. Thiago  |  28 de Abril de 2006 às 09:21

    Ok, sou obrigado a concordar que para áreas específicas é possível realmente construir uma IA que apresente resultados bons. Não estou acostumado com Chatbots, apesar de já ter usado alguns, mas me baseei na minha experiência com jogos de ficção interativa, nos quais joga-se escrevendo comandos. Procurem por interactive fiction no site www.the-underdogs.org e verão o monte de jogos que já foram feitos nesse molde (com poucas exceções, todos antigos, mas bem elaborados).

    No caso da mensagem de notificação, talvez não haja maneira de tratar o problema com a tecnologia. Mesmo se um rosto aparecesse e falasse, não subestime a capacidade humana de ignorar coisas. Nós já não ignoramos propagandas, que infestam toda nossa vida? Humanos são ótimos em eliminar “ruído” (Veja o livro “A Theory of Fun for Game Design”, muito bom), e idependente da forma de apresentação, elas aprenderão a ignorar o aviso.

    Não posso afirmar isso com certeza, mas minha intuição aponta para isso.

  • 22. Tester  |  28 de Abril de 2006 às 11:36

    Olá Thiago,

    O www.the-underdogs.org está inacessível desde 21 de março de 2006 qdo expirou o domínio. Não sei a confusão que rolou mas acabaram perdendo o domínio e o site só voltou ao ar no dia 23 de abril. E agora está sob a URL http://www.the-underdogs.info/ ;)

    Somente “arrematando as arestas” sobre a notificação… :D
    Entendo perfeitamente os sentidos (visão, audição, etc) seletivos, e é natural que isso aconteça, ainda mais qdo as mensagem nos são apresentadas sempre no mesmo formato. O meu exemplo foi só uma maneira de alertar sobre o fato que precisamos mudar a nossa visão, de que precisamos mudar a forma com que trabalhamos para o usuário, a fim de desenvolvermos aplicativos que tenham uma usabilidade melhor e possa realmente interagir de forma eficiente com o usuário.

    Penso sim que possa haver uma maneira de tratar isso com tecnologia. Talvez estejamos tão fechados no paradigma atual que não percebemos que existem outras soluções… bom mas isso é um outro papo.

    Vlw… abraços.

  • 23. blog.patrulleros.com.br &&hellip  |  28 de Abril de 2006 às 14:53

    […] Linkando essa publicação com aquela em que tratamos sobre cultura tecnológica e o debase que se desenvolve lá, apresento mais questões: […]

  • 24. Eler  |  1 de Maio de 2006 às 13:27

    Oi, colegas.

    A discussão de vocês está tão interessante que resolvi participar.
    Sou designer gráfico e mestranda no CEFET-MG. Trabalho com educação distância.

    Sobre estes dois comentários:

    1. ” No fundo, concordo que usabilidade é uma área da ciência à qual deve ser dado mais valor, especialmente na computação. Um interface simples é extremamente agradável de se usar (dizem que essa é uma das razões do sucesso do TiVo nos EUA).”

    2. ” No caso da mensagem de notificação, talvez não haja maneira de tratar o problema com a tecnologia. Mesmo se um rosto aparecesse e falasse, não subestime a capacidade humana de ignorar coisas. Nós já não ignoramos propagandas, que infestam toda nossa vida? Humanos são ótimos em eliminar “ruído” (Veja o livro “A Theory of Fun for Game Design”, muito bom), e independente da forma de apresentação, elas aprenderão a ignorar o aviso.”

    A usabilidade, cuja importância tem sido mais reconhecida no discurso que na prática, é apenas um dos pré-requisitos de um artefato tecnológico.
    Só porque algo é fácil de usar não significa que o usuário vá QUERER e GOSTAR de usar. Aqui podemos introduzir a questão do público-alvo.
    Com quem queremos dialogar? Estudos recentes demonstram como o aprendizado colateral em games afeta o modo como as pessoas lidam com a informação. Um ótimo livro é “Surpreendente! A televisão e os games nos tornam mais inteligentes, de Steven Johnson”.

    A capacidade de eliminar ruídos, ou nosso poder de seletividade cognitiva, é muito interessante. Compreender como o ser humano é sensibilizado
    parece ser nosso maior desafio. O processo de engajamento começa pela ATENÇÃO, mas prossegue pelo ENVOLVIMENTO, e estende-se até a CONCLUSÃO da experiência. Um processo que os profissionais de marketing, design e publicidade conhecem bem. Por isso, hoje estamos interessados sim em projetar interfaces fáceis de usar, mas que propiciem uma experiência significativa para o usuário em termos de envolvimento emocional. Isto pode acontecer em um Internet Banking, em um game, ou em curso a distância. Interessa saber que tipo de motivação devemos dar a este usuário para que ele use o sistema, o que ultrapassa a questão de FACILIDADE DE USO.

  • 25. Tester  |  5 de Maio de 2006 às 11:12

    Concordo plenamente com vc Eler.

  • 26. ELER  |  7 de Maio de 2006 às 13:07

    Engajamento e Apropriação Tecnológica

    Durante a última aula do Paulo, algumas questões vieram-me à mente:

    Qual o grau de influência do Design + Marketing sobre o tempo de apropriação de um artefato tencológico por uma sociedade?

    Se o objetivo da Educação é, em última instância, a mudança de comportamento,

    [do latim. educare] – Promover a educação; transmitir conhecimentos; ensejar condições para o educando modificar para melhor seu comportamento.

    o que podemos aprender com o processo de desenvolvimento de produtos tecnólogicos? E das estratégias de inserção destes produtos no mercado? Quais as técnicas de persuasão mais eficazes? O que é persuasivo e em que contexto?

    No blog Alfabetização e Letramento em CT, publiquei o caso
    de uma escova de dentes desenvolvida pela HASBRO (maior empresa de brinquedos do mundo) que toca música à medida que o sujeito escova os dentes. Pelo mecanismo, somente o sujeito consegue ouvir a música.

    Outro exemplo: a forma como o ORKUT foi rapidamente apropriado e “inculturado” (estamos discutindo este termo ainda) no mundo, em especial no Brasil. O fato de o sujeito precisar ser CONVIDADO foi um fator determinante para este sucesso? Acredito que esta estratégia tenha promovido o mkt viral, o que corresponderia à fase do processo de engajamento de DESPERTAR A ATENÇÃO.
    Mas com o uso do sistema, desenvolveu-se o engajamento.

    O que vocês acham? Que tecnologias vocês consideram intencionalmente persuasivas?

  • 27. Thiago  |  8 de Maio de 2006 às 10:03

    Acho que acabamos chegando à questão: por que as pessoas usam uma tecnologia? O que as atrai, as estimula, as faz sair (mesmo que pouco) de sua zona de conforto para aprender algo novo?

    1) Necessidade: Pode não ser a motivação mais divertida, mas certamente é uma razão forte.

    2) Utilidade: Máquinas de lavar e carros podem ser enquadrar aqui (para boa parte das pessoas). Economizar tempo e evitar tarefas tediosas é um grande estímulo.

    3) Prazer: Música, jogos e orkut. Uma tecnologia pode fornecer meios para satisfazer um desejo de uma pessoa e entretê-la.

    Mas mesmo algo útil, divertido (e necessário, talvez) como um computador pode não interessar algumas pessoas. Acho que isso vem de uma característica humana que deve ser levada em conta sempre:

    As pessoas são preguiçosas.

  • 28. ELER  |  8 de Maio de 2006 às 11:37

    Resumindo: as pessoas usam uma tecnologia para EVITAR DOR OU OBTER PRAZER?

  • 29. Matheus  |  8 de Maio de 2006 às 12:47

    A tecnologia é usada pelos mais diversos motivos e com as mais diversas finalidades, não só dor ou prazer. Acho que os principais motivadores para o uso e desenvolvimento de novidades são a preguiça e a curiosidade. Sobre a preguiça, li uma frase interessante uns tempos atrás (não me lembro mais do nome do autor): “Eu trabalho duro todo dia pra poder trabalhar pouco.” Basicamente ele queria dizer que procura formas mais eficientes de fazer seu trabalho para que as coisas sejam mais simples, menos doloridas e mais prazerosas no dia-a-dia.

    Eu percebo muito a questão da curiosidade quando penso no espaço. Tem que ser a curiosidade que move cientistas de todo o mundo a descobrir a lógica que move todo o espaço e seus corpos e estruturas, dos maiores aos menores.

    Voltando ao comentário da Eler sobre design e marketing, gostei muito dele. Eu nunca havia pensado nessa questão do marketing além da divulgação feita “normalmente” pelas empresas de TI. Será que o marketing de TI ainda é muito rudimentar e não conseguimos “seduzir” suficientemente nossos clientes e usuários?

  • 30. Thiago  |  12 de Maio de 2006 às 10:11

    Bom, em termos de grandes massas de pessoas com baixo nível de educação, acho que é bem capaz de dor e prazer resumirem as motivações.

    Não sei se essa idéia me conforta ou me enoja, mas tenho a impressão de que é a verdade.

  • 31. Eler  |  14 de Maio de 2006 às 18:00

    Influência do nome do artefato tecnológico sobre seu uso social e aceitação cultural

    Entrevista: Adriana Souza e Silva, doutrora em Comunicação e Cultura - UFRJ.

    PESQUISADORA DEFINE O PERFIL DOS USUÁRIOS DE CELULAR NO MUNDO

    Por que no Brasil e nos Estados Unidos o celular é associado à tecnologia (celular) e não ao seu aspecto de mobilidade?

    O nome que se dá à tecnologia está relacionado ao seu uso social e à aceitação cultural. Nos países onde o celular possui maior índice depenetração, o aparelho adquiriu nomes que nãoestão relacionados à tecnologia, mas à relaçãohumana com o aparelho.

    Por exemplo, os finlandeses o nomeiam kännykkä ou känny, o que se refere a uma extensão da mão. Também na Alemanha, um telefone celular é um handy. Em espanhol, chama-se le movil. A pesquisadora Sadie Plant notou, em um relatório para a Motorola, que em árabe, é chamado de el mobile, mas, geralmente, um telefone sayaar, ou makhmul (ambos os quaisse referem a carregar). Na Tailândia, é um moto. No Japão, é keitai denwa, um telefone transportável ou simplesmente keitai ou mesmo apenas ke-tai.Na China, é sho ji, ou ‘máquina de mão’. É interessante observar que o uso do celular nesses países não se restringe apenas à fala, incluindo mensagensde texto, jogos, internet e serviços de posicionamento. O uso como telefone, nesses casos, é geralmenteo menos importante.

    A passagem do ‘telefone celular’ para um telefone ‘móvel’ ou ‘transportável com a mão’ evidencia a transformação de um aparelho tecnológico para um acessório pessoal.

    E o que significa esta mudança?

    A mudança de nomenclatura representa o momento em que a tecnologia não é mais considerada apenas uma ferramenta, mas se torna parte da personalidade e da identidade do sujeito. Nos Estados Unidos, o telefone celular é basicamente usado como um segundo (ou terceiro) telefone. No Brasil, apesar de ser muitas vezes o único telefone, o celular ainda é um aparelho para falar. Além disso, tecnologicamente, o Brasil (e a maioriados países da América Latina) seguiu os Estados Unidos, só recentemente investindo na tecnologia GSM, que é o padrão europeu.

    Como a miniaturização das interfaces vaiinfluir no desenvolvimento dos celulares?

    A miniaturização representa maior portabilidadee, conseqüentemente, uma relação mais “natural” com a tecnologia. O design também determina como e por qual público alvo essa tecnologia será usada. Por exemplo, no início, os celulares japoneses foram desenhados para caber no bolso da camisa dos executivos, sendo finos, longos e com telas pequenas. Além disso, os telefones eram, em sua maioria, cinzas e pretos, visto que deveriam ser ferramentas de comunicação neutras. Algum tempo depois, quando novos produtores chegaram ao mercado,se depararam com a necessidade de venderem algo diferente e, então, surgiram os telefones com flip. Para a surpresa de muitos, esses modelos com flip atraíram rapidamente as meninas, pois cabiam facilmente nas bolsas de mão. Além disso, a possibilidadede telas maiores facilitou a digitação de e-mails. O que aconteceu em seguida foi uma mudança do público consumidor: de executivos para adolescentes e, mais tarde, para um público mais variado. Hoje, os modelos com flip são os mais vendidos no mercado japonês. Algumas empresas, como a NTT DoCoMo, no Japão, e a Samsung, na Europa, estão investindo em pesquisa para tornar ocelular mais “vestível” (wearable), desenvolvendo modelos que podem ser usados como relógios depulso. Se pensarmos na ubiqüidade dos relógios depulso hoje em dia, é possível prever que a relação com o celular pode ser tornar tão ou mais natural, passando a ser um elemento embutido na vida cotidiana,ou seja, uma interface transparente.

    http://www.souzaesilva.com/reviews/13interview/R@T0804.pdf

    ELER disse:
    Como o Paulo bem colocou em sala e em outros blogs: a tecnologia celular no Brasil encontra-se ainda na fase de APROPRIAÇÃO.

    Mas acredito que é um nível bem básico de apropriação, ou talvez, seria correto dizer, em um estágio incial do processo de apropriação, mais avançado que ALFABETIZAÇÃO tecnológica mas um pouco distante do DOMÍNIO.

    No estágio de domínio, seria possível a REAPROPRIAÇÃO Tecnológica - um indicador de letramento tecnológico e de cultura tecnológica.

    Vejam que não concordo mais com a relação direta entre ALFABETIZAÇÃO e APROPRIAÇÃO.

    Agora, vejo a ALFABETIZAÇÃO como uma condição para a APROPRIAÇÃO, embora não seja garantia de que esta ocorra.

    Em síntese, continuo entendendo a relação entre os 4 conceitos desta forma:

    A alfabetização tecnológica conduz ao letramento tecnológico (embora deva ocorrer simultaneamente à primeira) que caracteriza uma cultura tecnológica.

    Em uma cultura tecnológica não é possível existirem sujeitos iletrados, embora possam existir analfabetos tecnológicos.

    A apropriação não é conseqüência da alfabetização tecnológica, embora esta seja condição essencial para que o processo de apropriação tecnológica seja inciado.

  • 32. Thiago  |  16 de Maio de 2006 às 11:42

    Falando de interfaces, vejam o “FAQ” desta página:

    http://www.dtcom.com.br/default.asp

  • 33. Paulo C S Ventura  |  24 de Maio de 2006 às 09:26

    A conversa cresceu. À conclusão da Eler, que alfabetização não corresponde com apropriação, eu também cheguei e redigo o que eu disse alguns comentários acima. Precisamos, nós da disiciplina ECCT do Mestrado em Educação Tecnológica, avnçar ainda mais e verificar se essa lógica proposta pela Eler é funcional. O diretor do museu Exploratorium de São Francisco, USA, é francês e fundador e antigo diretor da Cité de la Science et de l’Industrie de Paris, e escreveu em um livro de sua autoria (antes eu assisti uma palestra dele na Sorbonne) onde afirma ter se assombrado com uma característica da cultura norte-americana, que seria o que ele chamoui de “cultura do aprender”. Talvez os norte-americanos tenham mais curiosidade e menos preguiça que nós, brasileiros. Essa cultura do aprender seria uma predisposição para aprender o novo, para crescer intelectualmente, e todos, (todos = sociedade civil organizado) se empenham muito, e dispendem esforços e dinheiro, para colocar o conhecimento ao alcanse da maioria. Eu nunca tinha pensado assim antes a respeitos dos americanos. E tento entender e discutir essa cois de cultura do aprender. Sobre marketing e etc. pergunto: assistimos muita publicidade de celular na tevê mas não assitimos comerciais de computadores. Isso teria a ver com a apropriação das tecnologias?
    Paulo

  • 34. Eler  |  28 de Maio de 2006 às 10:02

    Só para esclarecer sobre o conceito LETRAMENTO:

    Para Leda Verdiani Tfouni, o termo “iletrado”, bem como “iletramento” é impraticável, no que diz respeito à sociedades tecnologizadas.

    “Afinal, não seria adequado a utilização do mesmo em uma sociedade considerada moderna e/ou industrializada, centrada na escrita, pois a possibilidade de existir indivíduos que não possuem nem um grau sequer de letramento é quase impossível. Por isso, acredita-se que é inconveniente afirmar que existe“nível zero” de letramento, não há veracidade nessa afirmação. Então, o que se propõe é o usode termos próprios, do tipo: níveis ou graus de letramento.”

    Chegamos então à proposta de GRAUS DE LETRAMENTO, onde a autora parece negar que existam ILETRADOS absolutos. Esta afirmação gerou polêmica, mas se examinarmos bem, o que ela quis dizer e disse, é que o termo é SEMPRE RELATIVO a um conhecimento específico.

    Uma pessoa que possui grau zero de letramento é o quê? ILETRADA. Seria o caso de uma pessoa que migrou de uma sociedade primitiva para a nossa. Ela seria iletrada em tecnologias digitais. Teria GRAU ZERO de letramento em tecnologias digitais.

    Magda Soares:
    “Para ela, em sociedades grafocêntricas como a nossa, tanto crianças de camadas favorecidas quanto crianças das camadas populares convivem com a escrita e com práticas de leitura e escrita cotidianamente, ou seja, vivem em ambientes de letramento.”

    AMBIENTES DE LETRAMENTO, que expressão promissora.
    Alguém arrisca formalizar um conceito?

    Sobre sua questão, Paulo, tenho de pensar mais ;-)

  • 35. santos teixeira de oliveira  |  22 de Dezembro de 2007 às 21:22

    quero adquirir um programa melhor do que ibm via voice, vou esplicar porque, o ibm via voice o que eu falava ele não entendia o comando. beleza?

  • 36. Thiago  |  28 de Janeiro de 2008 às 09:59

    Não conheço outras soluções nesse sentido. Alguém aí conhece?

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