Libertas quae seras tamem
21 de Julho de 2006 às 22:35 Heringer | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 312
Encontrei um velho texto bobo que escrevi quando nos formamos. Postei como homenagem aos meus amigos patrulleros no dia internacional dos amigos (20/julho).
Libertas quae seras tamem
Quinta-feira, expectativa. Último compromisso acadêmico da vida. Pelo menos na graduação. Era só aquele trabalho, aquele plano de negócios da disciplina de empreendimentos e voilá, formado! Terminar o documento e apresentar no dia seguinte, pronto. Mas a pergunta que me sondou durante a tenebrosa quinta-feira era a que o Ted vivia se repetindo: “Quando é que todo esse sofrimento irá
acabar?”.
Não poderia mesmo ser simples. Afinal, era o último, o último trabalho! Antes dele, o POC2, uma espécie de monografia de fim de curso de computação, tinha sido até tranqüilo, afinal, eu tinha adiantado bem o trabalho nas férias. Mas o último, ah, o último! Ainda vou repetir muito esta palavra: último. Ou última. Afinal, era o último! Não poderia mesmo ser tão simples.
“Vocês acharam difícil entrar na faculdade? Difícil mesmo é sair!” - disse o reitor, quando eu era um mísero calouro. Como ele tinha razão! Por isso, não só por isso, mas também por isso, o último não poderia ser tão simples assim. Como sou repetitivo!
Reunimos o grupo de empreendimentos em minha casa. Oito horas da noite. Pobre irmã, a minha. Teve que agüentar quatro homens fazendo barulho na cabeça dela naquela longa noite. Logo após a pizza - que ela não quis acompanhar, sabe-se lá porque -, mãos à obra. Todos à frente do computador para terminar o último. Era só terminar o último, sabíamos. Mas também sabíamos que o último não seria tão simples assim.
A noite foi longa. Às três horas da madrugada dividimos as tarefas finais e o pessoal caçou rumo de suas respectivas casas. E eu fiquei lá, no computador, escrevendo, compondo…
Pouco tempo depois, conectei-me e lá estavam eles, os mesmos caras, bravos colegas de sofrimento no último trabalho, usando seus últimos fôlegos, unidos no último esforço de guerra, todos on line no ICQ. Valeu, israelenses, boa idéia esse ICQ….
E assim viramos a noite, como zumbis sem alento presos à frente de computadores, compondo a horripilante melodia do plano de negócios, a última fronteira, a última cruzada…
E amanheceu! Belo dia, fim de trabalho. Estava pronto, restava apenas imprimir algumas poucas dezenas de páginas e realizar quinze minutos de apresentação. Apesar de não ter dormido, estava muito bem disposto, agradecido a Deus pelo inesperado bom humor daquela manhã.
Ah, não, nada disso! É o último, ah, o último. O último não seria tão simples assim. Era a vez de nosso amigo Murphy despertar do submundo do desconhecido e fazer valer sua Lei sobre nós, míseros mortais aprendizes de empreendedorismo.
Fui para o campus tranquilo. Tomando café na cantina, um dos quatro cavaleiros do apocalipse, aqueles da madrugada adentro, me liga para contar a novidade: a planilha, cara, a planilha!
Eu tinha feito upload do arquivo errado… Liguei pra minha irmã - coitada, novamente, de fato não deixei ela dormir direito. Investiguei, por telefone, o que tinha acontecido. Descobri que o arquivo que eu queria estava em um lugar inusitado no meu micro e pedi a minha querida irmã que mo enviasse.
Claro, não poderia ser tão simples assim. Ela ficou muito tempo tentando se conectar à Internet. Em cerca de vinte minutos, ela conseguiu enviar o arquivo para minha conta na faculdade. Ufa! Agora é imprimir e pronto.
Mas ainda estava tudo muito simples e, definitivamente, assim não seria. Por algum motivo obscuro e maligno, debaixo da Lei de Murphy, os laboratórios passaram por crises gerais de impressão e eu não consegui imprimir a tal planilha. Tentei em quatro laboratórios diferentes e nada. Quando o problema
não era a rede, era o pacote de Office. O jeito foi baixar o nível: imprimir a planilha pra arquivo e depois usar o prompt do Linux - o velho, bom e confiável lpr em PostScript; nada de Microsoft, assim funciona. E funcionou!
Blasfêmias levantadas contra o MakeMoney e a Microsoft com seus formatos proprietários! Atrasados, entramos na sala de apresentações, aguardamos nossa oportunidade, apresentamos o trabalho…. Espere, espere, não poderia ser tão simples assim! Primeiro, os eslaides deram problema e os arquivos de animação Flash não foram executados. Que seja, esquecemos isso, fizemos a apresentação sem os tais arquivos, apenas com eslaides eletrônicos simples.
O tempo foi curto, a apresentação foi fraca, mas quem liga?! Finalmente formamos! Ou melhor, finalmente cumprimos nosso último compromisso acadêmico, no que diz respeito às notas. Então, basta-nos aguardar o dia do suado diploma. Mas não foi tão simples assim…
Todos os agradecimentos a Deus - que mostrou ser muito maior que Murphy - pela ótima oportunidade de estudar Computação na UFMG e pelos amigos que lá encontrei. Bola pra frente. E agora espero que eu repita esta palavra pela vez última.
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1 Comentário Faça seu próprio
1. Matheus | 26 de Julho de 2006 às 14:09
Heringer, eu não me lembro desse texto na época do final do curso. Você chegou a publicá-lo ou a mostrá-lo pra nós? De qualquer forma, é uma boa recordação daquele tempo. Fazendo uma comparação, o último trabalho da graduação parece com aquele 1% final e maldito de todo processo de instalação: sempre demanda mais tempo e esforço que todo o resto.
Bons tempos de graduação, são momentos que eu teria vontade de reviver se isso fosse possível. Tenho muito que agradecer a Deus por eles fazerem parte das minhas mais felizes lembranças.
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