Arquivo de 6 de Dezembro de 2006

De boas intenções, o inferno está cheio

Hoje. Minas Shopping. Almoço.

Dirigi-me para lá e cheguei à cancela na entrada. Uma moça (infelizmente não muito simpática, suponho que por causa do trabalho chato) estava a postos, com roupas de motivos natalinos, e um calhamaço de papéis de propaganda na mão, pronta para empurrá-los sem dó aos que se atrevem a entrar no estacionamento.

Bom, com minha habitual complacência, abro a janela e recebo o folheto. Bom que pelo menos ela sorriu. Eu acho que isso é bom, deve ser realmente entediante ficar em pé o dia inteiro com uma roupa ridícula, num calor terrível, e entregar para as pessoas coisas que elas não querem. Graças a Deus sou programador. :) Devaneios à parte, ela prontamente apertou o botão que emite o ticket e abre a cancela.

“Sim, por que não realizar um gesto camarada a um cara que agiu gentilmente?” - deve ter pensado ela.

Logicamente, não gostei disso nem um pouco.

Não gostei porque ela me atrapalhou.

Vejam bem, eu tenho um cartão de estacionamento liberado para o Minas Shopping, cortesia da administração aos empregados de empresas que se localizam perto do shopping. Só que ao entrar no shopping eu devo inserir meu cartão no aparato da cancela, e devo usá-lo como se fosse um ticket de estacionamento.

Só que ela gerou um ticket para mim. E se eu entrasse com o ticket, teria que pagar estacionamento.
Um dos vigias veio me dizer que não havia forma de cancelar o ticket e deixar que eu entrasse com meu cartão. O que ele sugeriu (e eu fiz) foi entrar no shopping, sair do shopping e voltar ao shopping, desta vez usando o cartão. Dado que os 15 minutos iniciais não são cobrados, pude fazer isso (pensando bem enquanto escrevo isto, acho que devia ter dado ré, entrado em outra cancela e nem ligar para o ticket que ficaria pendurado na cancela. Que droga. Devia ter pensado nisso na hora.).

Tudo isso me fez pensar em que muitas vezes fazemos algo para agradar alguém e acabamos por machucá-la. A questão é que não basta ter boas intenções, suas ações têm que estar em sincronia com as primeiras.

O que contribui para que haja desacordo entre intenções e ações?
Vamos ver o que consigo analisar:

1- Desconhecer as verdadeiras necessidades do outro.
2- Agir em cima de suposições.

É como disse o mestre Marquito “Achar é a mãe de todos os erros”.
Não ache. Tenha certeza.

6 comentários 6 de Dezembro de 2006 às 16:14 Thiago


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